Conversante favorito. O cargo que ninguém pediu e todo mundo já ocupou

Essa imagem é praticamente um manual ilustrado do relacionamento moderno onde o afeto vem parcelado e o compromisso nunca passa na aprovação. Existe uma habilidade especial em transformar carência em argumento e cobrança em charme, tudo com emoji estratégico para confundir o emocional de quem lê. A pessoa não quer atenção, quer audiência. Não quer sair, quer conversa infinita, de preferência com resposta rápida e disponibilidade emocional premium. É o famoso vínculo freestyle, sem rótulo, sem plano e com muita expectativa escondida no rodapé da mensagem.
O auge está na tentativa de redefinir papéis. Quando o outro percebe que virou confidente fixo, terapeuta não remunerado e entretenimento de bolso, a ficha cai. O elogio que soa bonito vem com prazo de validade curtíssimo e zero benefícios trabalhistas. Ser o conversante favorito é tipo ganhar troféu de participação emocional, bonito na estante, inútil na prática. A figurinha no final só carimba o sentimento coletivo de quem já viu esse filme várias vezes e sempre sabe o final. No Brasil, inventar coisa em relacionamento virou esporte olímpico, e essa imagem é prova viva disso.




