Tomei remédio pra dormir e sonhei que estava com insônia, o cérebro brasileiro não tem botão off

Tomei remédio pra dormir e sonhei que estava com insônia, o cérebro brasileiro não tem botão off

Tem coisa mais brasileira do que tomar remédio pra dormir e ainda arrumar tempo pra sofrer por não estar dormindo? A mente da pessoa vira uma reunião de condomínio às três da manhã. O zolpidem entra em campo, promete silêncio, luz apagada e trilha sonora de spa. A cabeça responde com um TED Talk interno sobre produtividade, decisões da vida e teorias que ninguém pediu. O melhor é o drama consciente: a própria pessoa preocupada com o perigo de não dormir, enquanto aparentemente está dormindo melhor que bebê depois do almoço. O cérebro simplesmente decidiu brincar de Inception versão boleto.

E o auge da ironia é descobrir que passou a madrugada inteira sonhando que estava acordada. Insônia em modo fake news. A mente criou um reality show chamado “Dormindo e reclamando ao mesmo tempo”. É o nível máximo de ansiedade gourmet: até o descanso vem com roteiro, plot twist e figurino de palhaço no final. No fundo, não é falta de sono, é excesso de imaginação com Wi-Fi liberado. O brasileiro não dorme, ele produz conteúdo mental premium até inconsciente. E ainda acorda cansado, porque até no sonho estava ocupado reclamando.

Manual prático de como admirar filhos e problemas só à distância

Manual prático de como admirar filhos e problemas só à distância

A sabedoria popular brasileira ensina que criança é igual visita: na casa dos outros é sempre mais agradável. Todo mundo acha lindo, cheiroso, educado, mas basta passar duas horinhas convivendo de verdade para descobrir que o pacote completo vem com choro, birra, bagunça e uma energia infinita que nenhum adulto tem mais. Aí surge essa filosofia moderna da madrasta prática, aquela que aprecia de longe, elogia por educação e agradece todos os dias por não ter sido ela que inventou a ideia de ter herdeiro. Porque no discurso todo mundo quer formar família, construir legado, plantar árvore e escrever livro. Na prática, o povo só quer mesmo é dormir até tarde e gastar dinheiro com lanche.

E a lógica segue firme para outros departamentos da vida. Tem gente que trata relacionamento igual empréstimo de ferramenta: é bom enquanto está novo, funcionando e sem dar dor de cabeça. Começou a exigir manutenção, atenção e paciência, já vem a vontade de devolver com nota fiscal e tudo. No fundo, o sonho secreto de muita gente é ter responsabilidades em modo teste grátis, com direito a cancelamento sem multa. Vida adulta com botão de desistir seria um sucesso absoluto.

A atrizteza da família e o currículo mais sincero da internet

A atrizteza da família e o currículo mais sincero da internet

O mundo das conversas virtuais é um verdadeiro palco de surpresas. A pessoa começa toda básica, perguntando idade, chamando de xuxu, criando aquele clima de entrevista de emprego romântica. Tudo muito padrão, roteiro clássico de paquera online: pergunta o que faz da vida, responde que estuda e trabalha, joga um elogio educado e segue o protocolo. Até aí, nada demais, parece mais um diálogo normal entre dois jovens cheios de sonhos e boletos. Mas a internet tem esse dom mágico de transformar qualquer conversa inocente num momento histórico digno de meme.

De repente surge a revelação mais sincera e genial possível: “atrizteza da família”. Pronto, o currículo artístico ganhou uma nova categoria oficial. Porque não basta ser atriz, tem que carregar o peso dramático de ser o orgulho alternativo dos parentes, aquela pessoa que todo almoço de domingo alguém pergunta quando vai arrumar um emprego “de verdade”. É praticamente um cargo hereditário, misto de comediante involuntária e protagonista de novela mexicana familiar. No fundo, todo mundo conhece alguém assim, que luta pelos sonhos enquanto a família luta pra entender qual é o sonho. E o melhor é que a própria pessoa já assume o título com humor, porque se não rir da própria desgraça profissional, vai chorar no camarim imaginário.

O aluno que antecipou o recreio e quase assumiu a presidência da escola

O aluno que antecipou o recreio e quase assumiu a presidência da escola

Tem gente que nasceu pra ser líder, visionário, empreendedor. E tem gente que nasceu pra tocar o sino e libertar a nação estudantil cinco minutos antes do previsto. Isso não é indisciplina, é espírito revolucionário com uniforme escolar. O sistema educacional inteiro organizado, horários cronometrados, professores planejando aula… e aparece um herói anônimo com um único objetivo: antecipar a felicidade coletiva. Isso não é bagunça, é gestão de tempo alternativa.

Ir parar na diretoria por tocar o sino é praticamente um serviço comunitário mal compreendido. Porque no fundo todo mundo saiu feliz, só a coordenação não compartilhou do mesmo entusiasmo. O brasileiro tem esse talento especial de transformar um botão em evento histórico. Não foi só um toque, foi um golpe de estado pedagógico. Cinco segundos de ousadia, cinquenta alunos comemorando como se fosse feriado nacional. E ainda dizem que a escola não ensina nada. Ensina sim: ensina que toda ação tem consequência, principalmente quando envolve liberdade antecipada. No currículo oficial não consta, mas na biografia pessoal vira medalha.

Processo seletivo nível Brasil, a vaga é secreta e a paciência é teste obrigatório

Processo seletivo nível Brasil, a vaga é secreta e a paciência é teste obrigatório

O mercado de trabalho brasileiro é um verdadeiro parque de diversões emocional. A pessoa manda currículo, reza para alguém responder e, quando finalmente aparece um contato, vem junto um teste psicológico surpresa. Parece que algumas empresas confundem processo seletivo com prova do Enem misturada com pegadinha do Silvio Santos. A vaga é urgente, mas o candidato não pode ter vida, compromisso, horário ou preferência por mensagem. Tem que estar disponível como se fosse atendimento de emergência 24 horas, com direito a telepatia corporativa. E o detalhe mais importante: a entrevista é tão misteriosa que nem o próprio recrutador sabe explicar qual é o cargo.

Aí surge essa nova modalidade revolucionária: a vaga secreta. Ninguém pode saber nada, não pode perguntar nada e, se questionar demais, já é considerado difícil de lidar. É quase um relacionamento abusivo profissional, só faltou mandar um “quem quer trabalha, quem pergunta demais atrapalha”. No fundo, o sonho de algumas empresas é contratar um funcionário com experiência infinita, salário simbólico e capacidade de adivinhar funções. E tudo isso com simpatia obrigatória, claro. Porque, pelo visto, pedir informação sobre o emprego é um ato quase criminoso.

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