
Existem decisões ruins e existem decisões que parecem ter sido aprovadas por uma reunião extraordinária entre o sono, a confusão e o cartão de crédito. Comprar dois pacotes de viagem durante uma alucinação já seria preocupante por si só, mas transformar a própria imaginação em agente de turismo é outro nível. O cidadão não queria apenas viajar; aparentemente queria financiar uma experiência internacional baseada em uma informação que nem ele mesmo consegue confirmar. É o famoso turismo no modo “depois eu descubro para onde vou”.
O mais impressionante é a história de ser neto da rainha de Gênova. Aí já não é mais uma simples confusão, é praticamente uma candidatura a personagem de novela histórica. O problema de inventar parentesco com realeza durante uma possível viagem imaginária é que o cartão de crédito continua muito mais lúcido que a pessoa. A cobrança de R$ 9 mil é, provavelmente, a única parte dessa história que acordou completamente consciente.
No fim, fica uma grande lição: quando a realidade começa a parecer um episódio aleatório, o mínimo é conferir o extrato antes de comprar qualquer coisa. Porque esquecer onde comprou a passagem já é complicado. Esquecer por que comprou e ainda descobrir uma dívida de nove mil reais é o verdadeiro pacote turístico completo: ida, volta e boleto emocional.
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