A filosofia profunda que nasce quando o dinheiro acaba

A filosofia profunda que nasce quando o dinheiro acaba

Existe uma fase da vida em que a pessoa começa a filosofar não porque leu Platão, mas porque abriu o aplicativo do banco. A reflexão é profunda, existencial e sempre cai no mesmo ponto: o dinheiro. A liberdade humana parece infinita até o boleto aparecer, aí a existência vira parcelada em doze vezes sem juros. A vida passa, o tempo voa, e a carteira segue em modo econômico permanente, como se estivesse protegendo a bateria emocional. É curioso como tudo seria possível se não fosse esse detalhe técnico chamado saldo insuficiente, uma invenção que ninguém pediu, mas todo mundo respeita.

O mais engraçado é que o ser humano consegue romantizar até a própria falência. A frase parece discurso de formatura misturado com extrato bancário negativo. A gente quer viver intensamente, viajar, comer bem, realizar sonhos, mas acaba vivendo intensamente o cálculo mental no caixa do mercado. O limite da vida não é a coragem, nem a vontade, nem a imaginação. É o Pix que não entra, o salário que evapora e o planejamento financeiro que vira ficção científica. No fundo, não é tristeza, é só o capitalismo dando aquele abraço apertado e lembrando que sonhar é grátis, mas executar tem custo.

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