
Perfil de aplicativo virou edital de concurso público com vaga única e exigência de currículo impecável. A pessoa não está procurando um parceiro, está abrindo uma licitação emocional com cláusulas que eliminam metade da população antes da primeira foto. A lista de requisitos é tão específica que parece ter sido escrita depois de muitos traumas, algumas decepções e zero paciência restante. Não basta existir, tem que existir do jeito certo, com renda estável, saúde em dia, casa própria, cheiro agradável e disposição para resolver tudo sozinho. Amor virou bônus, o resto é obrigação básica.
O deboche maior mora no equilíbrio da proposta. De um lado, exigências dignas de personagem principal de novela das nove. Do outro, sinceridade brutal, sem maquiagem emocional e sem promessa de esforço doméstico. O pacote já vem pronto, com filhos incluídos e nenhuma vontade de repetir a experiência. Ainda assim, o texto é entregue com uma naturalidade assustadora, como se fosse o mínimo aceitável para começar uma conversa. O brasileiro lê isso e entende rápido que não é sobre encontrar alguém, é sobre filtrar até sobrar um ser humano mitológico. No fim, não é um perfil, é um aviso. Quem clicar no coração precisa estar pronto para tudo.






