Romance tranquilo. A proposta linda que sempre vem com prazo de validade emocional

Romance tranquilo. A proposta linda que sempre vem com prazo de validade emocional

Romance tranquilo virou o novo unicórnio dos relacionamentos modernos: todo mundo fala, ninguém nunca viu. A proposta parece linda, madura e cheia de boas intenções, mas sempre vem embalada naquele entusiasmo exagerado que assusta mais do que atrai. Quando a conversa sai do “qualquer coisa” direto para transparência total, zero joguinhos e promessa de entrega emocional completa, o alerta interno já começa a apitar. Não é romantismo, é marketing afetivo agressivo. A pessoa não sugere um relacionamento, ela apresenta um plano estratégico com valores, missão e visão.

O deboche mora na intensidade precoce. Em poucos minutos, já existe uma expectativa de conexão profunda, sinceridade absoluta e ausência total de trauma, como se isso fosse uma opção de menu. O brasileiro lê isso e sente o peso invisível da responsabilidade chegando antes mesmo do primeiro café juntos. Transparência demais, cedo demais, costuma revelar mais ansiedade do que maturidade. No fim, a ideia de romance calmo soa mais como pedido de socorro emocional disfarçado de maturidade emocional. Porque, na prática, todo mundo quer tranquilidade, mas ninguém sabe exatamente como manter isso por mais de uma semana sem drama, sumiço ou textão inesperado.

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