Quando o primeiro dia de trabalho já começa pedindo horário alternativo

Quando o primeiro dia de trabalho já começa pedindo horário alternativo

Existe uma confiança muito especial em quem encara o primeiro dia de trabalho como se fosse um convite opcional para um brunch. O horário aparece ali, firme, redondo, cheio de expectativa corporativa, e a reação vem com a leveza de quem acredita que a vida funciona no modo “negociável”. É quase uma filosofia moderna sobre flexibilidade, aplicada no pior momento possível. O detalhe genial está na naturalidade da pergunta, como se pontualidade fosse apenas uma sugestão educada e não um combinado básico da civilização.

O mais engraçado é o contraste entre o entusiasmo institucional e a realidade do brasileiro médio, que vê oito da manhã como um conceito abstrato criado para testar o emocional alheio. A cena mental que surge é a do choque cultural entre o mundo ideal do RH e o mundo real do despertador ignorado. Tudo ali vira uma aula prática sobre expectativas versus realidade, especialmente quando alguém resolve improvisar logo na largada. No fim das contas, fica a reflexão profunda de que não é falta de vontade de trabalhar, é só um excesso de sinceridade matinal. Um verdadeiro manifesto informal sobre tentar ajustar o relógio do sistema ao próprio fuso horário interno.

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