
A humanidade vive dois grandes mistérios: como as pirâmides foram construídas e por que o despertador nunca respeita nossos sonhos de mudança de vida. A pessoa decide virar atleta olímpico do dia para a noite, programa o alarme todo confiante, separa até a roupa de caminhada e dorme com a sensação de que acordará renovada. No dia seguinte, descobre que o plano saudável durou exatamente até o travesseiro encostar na cabeça. O corpo cria uma habilidade quase sobrenatural de desligar o alarme no modo automático, como se existisse um botão secreto de sabotagem instalado no cérebro desde o nascimento.
E o pior é perceber que até nos sonhos a gente continua sendo derrotado pela própria preguiça. Sonhar que levantou cedo e foi produtivo é praticamente uma pegadinha interna do organismo, uma mentira contada para si mesmo com efeitos reais no atraso. O despertador vira inimigo público número um, a cama se transforma em território proibido e a segunda-feira começa com gosto de derrota antecipada. No fundo, a vida fitness sempre parece maravilhosa na teoria, mas na prática o único exercício que dá certo é correr contra o relógio depois de perder a hora mais uma vez.






