Ex-funcionário não tem botão de emergência

Ex-funcionário não tem botão de emergência

Nada mais brasileiro do que patrão com memória seletiva. A pessoa passa a vida inteira repetindo que funcionário é substituível, que ninguém é insubstituível, que o mercado tá cheio de gente querendo trabalhar. Aí, quando demite alguém, descobre magicamente que aquele mesmo funcionário era, na verdade, a coluna de sustentação da empresa, o cérebro do projeto e praticamente o responsável por fazer o sol nascer todo dia. É impressionante como certas responsabilidades aparecem do nada depois da rescisão assinada. O crachá some, o salário acaba, mas o trabalho continua querendo colar igual chiclete velho no sapato.

E o mais bonito dessa situação é o tom de surpresa do chefe, como se fosse completamente inesperado que alguém demitido não tivesse mais obrigação nenhuma. Parece até que existe um universo paralelo onde ex-funcionário vira voluntário automático da firma. A empresa esquece de fornecer computador, estrutura, reconhecimento e até respeito, mas nunca esquece de cobrar milagre de última hora. No fundo, é a clássica mentalidade do “não preciso de você, mas preciso muito de você agora”. Nada como um bom choque de realidade corporativa para lembrar que profissional não é super-herói e que gratidão não paga boleto.

guest
0 Comentários
newest
oldest most voted
Inline Feedbacks
View all comments
Rolar para cima