
Casamento é aquela fase da vida em que a pessoa aprende, de forma humilde, que não é mais o protagonista da própria história. O ego vai sendo educado aos poucos, até entender que existe uma hierarquia emocional muito bem definida dentro da casa, e ela não inclui você no topo. O gato virou CEO do carinho, diretor de atenção e acionista majoritário do afeto. Enquanto isso, o ser humano adulto, com boleto no nome e responsabilidade nas costas, disputa migalhas de validação com um animal que passa 70% do tempo dormindo e 30% ignorando todo mundo.
O mais impressionante é que o gato nem se esforça. Não paga uma conta, não contribui com o aluguel, não resolve um problema e ainda assim é tratado como uma obra de arte rara. O cara pode trabalhar, sofrer, enfrentar o trânsito e voltar exausto, mas basta o gato existir que ele já ganha o título de criatura mais perfeita do universo. A autoestima do homem casado aprende a sobreviver com o básico, igual plano pré-pago emocional. No fim, o verdadeiro relacionamento sólido é entre a esposa e o gato, enquanto o marido participa como figurante com acesso limitado ao afeto premium.






