
O ensino médio tinha uma habilidade impressionante de transformar qualquer evento em algo que parecia o Oscar, o Grammy e a Copa do Mundo ao mesmo tempo. Festa de 15 anos não era só uma festa, era praticamente uma conferência internacional de julgamentos silenciosos, expectativas irreais e decisões emocionais que não faziam o menor sentido. Todo mundo com roupa social emprestada, parecendo gerente de banco mirim, enquanto por dentro ainda não sabia nem dobrar uma coberta direito. Era a única fase da vida em que alguém usava terno sem ter nenhum patrimônio e salto alto sem ter nenhum equilíbrio emocional.
O mais impressionante é como o cérebro tratava aquilo como o auge da existência humana. A semana inteira girava em torno de quem teve coragem, quem teve sorte e quem teve azar. A memória guardava tudo como se fosse um evento histórico, quando na verdade ninguém ali sabia nem pagar um boleto. A felicidade era baseada em coisas simples, como voltar pra casa sem passar vergonha ou pelo menos achando que não passou. Hoje em dia, o máximo de emoção é conseguir dormir cedo sem ansiedade financeira. A vida não piorou, ela só parou de ser patrocinada pela inocência.






