
Atendimento ao cliente é uma das profissões mais perigosas emocionalmente, porque a linha entre vender um produto e destruir um torcedor é muito fina. O brasileiro não pergunta só por um item, ele pergunta com esperança, com fé e com aquele restinho de dignidade que sobrou depois do último campeonato. Quando a resposta vem em forma de deboche, não é apenas uma informação comercial, é praticamente um atentado psicológico. O uniforme pode até faltar no estoque, mas a humilhação sempre está disponível em pronta entrega.
O mais impressionante é como o futebol consegue transformar uma simples conversa em um evento diplomático internacional. Não é sobre comprar uma camisa, é sobre honra, história e sofrimento acumulado em parcelas emocionais. O torcedor já vive em um estado delicado por natureza, sustentado por memórias antigas e promessas que nunca se cumprem. Aí aparece alguém e resolve reforçar a dor com desconto e sarcasmo. O resultado é previsível, porque mexer com futebol no Brasil é igual cutucar uma ferida que nunca cicatrizou. O estoque pode acabar, mas a rivalidade é um produto com reposição infinita e garantia vitalícia.






