
O final de semana tem um talento especial para decepcionar quem cria expectativa demais. Ele passa a semana inteira sendo vendido como o evento mais aguardado da existência, quase um feriado pessoal que promete alegria, liberdade e dignidade. Mas, quando finalmente chega, ele simplesmente entrega um pacote premium de dor no corpo, nariz entupido e aquela sensação humilhante de fragilidade humana. O final de semana não é um descanso, é uma armadilha emocional com prazo marcado.
A doença de sábado é o maior golpe baixo que existe. O corpo aguenta calado de segunda a sexta, respeita o horário comercial, mantém a postura profissional, mas basta o relógio liberar a folga que ele decide pedir demissão da saúde. Parece que o organismo tem um contrato secreto com o sofrimento recreativo. O pior é a sensação de injustiça, como se o universo estivesse assistindo tudo e rindo baixinho. O descanso não vem, a energia não volta, e o único passeio possível é do travesseiro para o arrependimento. No fim, o final de semana não serve para viver, serve para lembrar que a esperança é uma piada recorrente.






