
Infância raiz no Brasil não vinha com suco detox, vinha com colherada estratégica de Biotônico Fontoura e promessa de “abrir o apetite”. O problema é que ninguém avisava que, além do apetite, talvez estivesse abrindo também a porta da alegria exagerada. Nove vírgula cinco por cento não é detalhe, é praticamente um estágio supervisionado no bar da esquina, só que com rótulo farmacêutico e aprovação familiar. A geração criada no fortificante talvez não fosse hiperativa, só estava levemente “animada demais” para a aula de matemática.
O mais curioso é como tudo era normalizado. Criança rindo à toa? Deve ser fase. Criança não parando quieta? Energia saudável. Ninguém suspeitava que a fórmula secreta incluía um toque etílico disfarçado de vitamina. Isso explica muita memória escolar confusa e muita advertência injusta. No fundo, a infância brasileira era uma mistura de ferro, vitaminas e uma pitada de ousadia líquida. E agora faz sentido aquela sensação de que a quarta série foi vivida em modo levemente festivo. Talvez não fosse indisciplina, fosse apenas um “suplemento” fazendo seu trabalho social.






