Quando o amor pede patê e recebe receita de atum com maionese

O brasileiro tem um dom raro de transformar declaração de amor em receita culinária sem perceber. A pessoa recebe a oportunidade perfeita para viver um momento digno de comédia romântica e entrega um tutorial de atum com maionese. É a prova de que romantismo e fome competem no mesmo espaço do cérebro, e geralmente quem vence é a geladeira. Enquanto um coração tentava fazer poesia, o outro já estava calculando a proporção exata de duas colheres bem cheias. Cupido errou a flecha e acertou uma lata de sardinha.
Existe algo profundamente brasileiro nessa habilidade de interpretar metáfora como lista de supermercado. O clima preparado para a frase “para a vida toda” acaba soterrado por instruções de amassar peixe e temperar a gosto. É quase uma filosofia prática do amor: sentimentos são importantes, mas proteína e praticidade vêm primeiro. No fim das contas, não foi falta de amor, foi excesso de objetividade. O romance tentou ser filme, mas virou programa de culinária das duas da tarde. Moral da história: antes de ensinar a fazer patê, confirme se não estão tentando fazer poesia.





