Quando a pressa é grande mas o limite do banco é pequeno

Quando a pressa é grande mas o limite do banco é pequeno

Pontualidade no Brasil é um conceito abstrato que depende muito da coragem e pouco da lógica. A disposição para chegar rápido até existe, mas ela vem acompanhada de um cálculo mental rápido sobre multas, boletos e limites da conta. A boa vontade é real, o problema é o orçamento. O brasileiro não mede esforço, mede consequência. A pressa vira negociação interna entre desejo de agradar e medo do Detran. Quando entra a palavra “toreto”, já se sabe que não é sobre velocidade, é sobre ousadia controlada.

O deboche fica completo quando a sinceridade aparece sem cerimônia nenhuma. A pessoa não diz que não pode, diz que até iria, mas o sistema financeiro pessoal não permite esse tipo de aventura. É o famoso limite emocional bancário. A conversa vira quase um contrato informal de expectativa realista, onde ninguém se ilude e todo mundo entende. No fim, não é falta de vontade, é excesso de noção. A imagem representa perfeitamente o brasileiro médio: pronto para tudo, desde que não venha acompanhado de multa, juros ou dor de cabeça. Chegar rápido é fácil, difícil é pagar depois. E admitir isso com bom humor já é meio caminho andado para a paz social.

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