Quando você recebe um elogio e responde com autoestima parcelada

Quando você recebe um elogio e responde com autoestima parcelada

Autoestima no Brasil funciona no modo gangorra emocional, alternando entre diva internacional e criatura mística em questão de horas. O elogio chega bonito, fofo e cheio de intenção romântica, mas a resposta vem com aquele realismo brutal que ninguém pediu. É a clássica humildade estratégica, onde a pessoa se rebaixa antes que o universo faça isso por ela. O brasileiro não aceita elogio puro, ele sempre adiciona um porém, uma piada autodepreciativa e uma referência aleatória para equilibrar o karma. Beleza aqui nunca vem sem disclaimer.

O deboche atinge o ápice quando a insegurança vira entretenimento visual. Em vez de negar o elogio com classe, a pessoa abraça a zoeira e ainda se compara com um ser totalmente improvável. É o tipo de resposta que não quebra o clima, mas dá uma leve derrapada na romantização. A figurinha final sela o momento com aquela energia de quem diz “eu entendi, mas também não exagera”. O brasileiro olha isso e se identifica na hora, porque todo mundo já sabotou um elogio perfeito com uma piada desnecessária. No fundo, não é falta de amor-próprio, é excesso de sinceridade misturada com humor defensivo.

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