
Bate aquela nostalgia seletiva que só quem viveu sabe explicar, uma mistura de orgulho com dor lombar emocional. A memória da lan house vem carregada de romantização pesada, como se fosse um templo sagrado da juventude raiz. Trinta minutos pareciam uma eternidade cronometrada pelo relógio mais cruel do planeta, sempre acelerado quando a diversão começava a ficar boa. Era a época em que salvar progresso era um ato de fé e sair desconectado significava aceitar o vazio existencial até juntar mais moedas. Hoje a galera reclama quando o Wi-Fi cai por dez segundos, mas antigamente o normal era a vida inteira offline, com pequenas excursões digitais pagas por hora.
Essa lembrança também entrega o nível de resistência psicológica da geração que sobrevivia sem nuvem, sem backup e sem botão de “continuar de onde parou”. Tudo era intenso, temporário e sofrido, como um relacionamento tóxico com o computador da esquina. A lan house era academia de paciência, escola de humildade e curso técnico em frustração. Ainda assim, existe um certo orgulho em dizer que o acesso à internet era conquistado na base do esforço físico e do troco contado. Não era sobre velocidade, era sobre mérito. E talvez seja por isso que hoje qualquer lentidão pareça uma ofensa pessoal, porque depois de sobreviver àquele caos, o mínimo esperado é respeito digital.






