
Tem gente que acorda com espírito de empreendedor, mas esquece que a humanidade já inventou praticamente tudo e só mudou o nome para parecer moderno. A genialidade aqui mora naquela linha tênue entre inovação disruptiva e algo que todo mundo já usa desde sempre sem glamour nenhum. A ideia vem com cheiro de pitch milionário, mas entrega exatamente o que o brasileiro conhece bem: esperar, dividir espaço, parar em pontos aleatórios e sair levemente arrependido das escolhas da vida. O charme está em vender o óbvio com embalagem de startup, como se fosse uma revolução urbana e não um velho conhecido da rotina.
O mais bonito é a convicção de que ninguém nunca pensou nisso antes, como se décadas de transporte coletivo fossem apenas um teste beta esperando um nome em inglês. A proposta carrega a essência do “confia que vai dar certo”, temperada com otimismo exagerado e zero estudo de viabilidade. O brasileiro ama esse tipo de raciocínio, porque mistura criatividade, improviso e uma fé inabalável de que basta mudar o discurso para virar riqueza. No fundo, é quase poético ver uma solução antiga reaparecer como novidade absoluta, provando que o verdadeiro luxo não é inovar, mas acreditar que reinventou a roda e ainda chamar isso de ideia milionária.






