
O amor no Brasil tem uma regra secreta que ninguém conta na escola: sentimento nenhum sobrevive quando o saldo da conta está negativo. A pessoa começa o relacionamento achando que encontrou a alma gêmea, o príncipe encantado, o grande amor da vida. Depois descobre que, na verdade, encontrou foi o príncipe do carnê atrasado, o rei do boleto vencido e o duque da conta zerada. Romance é lindo no começo, mas basta aparecer uma fatura inesperada que a paixão vira reunião do Serasa com o Procon. Tem gente que confunde declaração de amor com pedido de ajuda financeira, e aí o conto de fadas vira um filme de terror com trilha sonora de notificação do banco.
E o mais engraçado é que todo pobre apaixonado tem o mesmo discurso motivacional: amor não precisa de dinheiro, o importante é o sentimento, felicidade é coisa simples. Até chegar a hora de pagar a conta da cerveja, do lanche ou do cinema. Aí a filosofia vai embora mais rápido que o Wi-Fi quando acaba a luz. No fim das contas, namoro com orçamento apertado vira praticamente um esporte radical. Sobrevive quem tem coragem, paciência e, de preferência, um parente que empreste dinheiro sem perguntar quando vai devolver.






