
O guarda-chuva é o objeto mais otimista já inventado pela humanidade. A pessoa compra achando que está adquirindo proteção, segurança e maturidade adulta, mas na verdade está levando para casa um brinquedo temperamental que só funciona quando não precisa dele. Basta começar aquela chuvinha humilde, quase romântica, para o equipamento decidir que hoje é dia de revolução e virar do avesso como se tivesse vida própria. A sensação é de que o vento tem um acordo secreto com a fábrica para humilhar qualquer ser humano que ouse sair preparado de casa.
E o mais bonito é a confiança inicial. O cidadão sai todo organizado, cabelo arrumado, roupa sequinha, segurando o guarda-chuva como se fosse um escudo medieval contra as forças da natureza. Trinta segundos depois está lutando corpo a corpo com varetas tortas, tecido rasgado e dignidade destruída. No final das contas, a chuva continua caindo, a pessoa continua molhada e o guarda-chuva vira só um peso extra para carregar, como um troféu da derrota. A conclusão é clara: ele não foi feito para proteger ninguém, mas para lembrar que a vida adora rir da nossa cara nos momentos mais inconvenientes.






