
Tem gente que acredita que o banheiro é um estúdio particular onde ninguém jamais vai invadir. A pessoa entra toda confiante, solta a voz como se estivesse num show do Rock in Rio, inventa coreografia, faz versão acústica do chuveiro e ainda se sente o próprio artista internacional do momento. Dentro daquele ambiente fechado, o cidadão vira mistura de cantor, jurado e plateia ao mesmo tempo. A acústica parece perfeita, a autoestima vai lá em cima e a vergonha simplesmente tira férias. Afinal, na nossa cabeça, quando estamos sozinhos em casa, podemos virar estrela da música sem testemunhas.
O problema é que a vida adora aplicar teste de humildade justamente nessas horas. Nada prepara o psicológico para o choque de descobrir que existia público não autorizado para o espetáculo. A pessoa sai do banheiro se sentindo leve, realizada, achando que deu um show particular, e dá de cara com olhares que claramente ouviram até o refrão desafinado. É nesse momento que a ficha cai: não existe sensação mais constrangedora do que perceber que você acabou de fazer um musical completo sem saber que tinha plateia. A moral da história é simples: antes de soltar o gogó no banho, sempre confirme se a casa está realmente no modo silencioso.






