
A sabedoria popular brasileira ensina que criança é igual visita: na casa dos outros é sempre mais agradável. Todo mundo acha lindo, cheiroso, educado, mas basta passar duas horinhas convivendo de verdade para descobrir que o pacote completo vem com choro, birra, bagunça e uma energia infinita que nenhum adulto tem mais. Aí surge essa filosofia moderna da madrasta prática, aquela que aprecia de longe, elogia por educação e agradece todos os dias por não ter sido ela que inventou a ideia de ter herdeiro. Porque no discurso todo mundo quer formar família, construir legado, plantar árvore e escrever livro. Na prática, o povo só quer mesmo é dormir até tarde e gastar dinheiro com lanche.
E a lógica segue firme para outros departamentos da vida. Tem gente que trata relacionamento igual empréstimo de ferramenta: é bom enquanto está novo, funcionando e sem dar dor de cabeça. Começou a exigir manutenção, atenção e paciência, já vem a vontade de devolver com nota fiscal e tudo. No fundo, o sonho secreto de muita gente é ter responsabilidades em modo teste grátis, com direito a cancelamento sem multa. Vida adulta com botão de desistir seria um sucesso absoluto.






