Quando sua confiança atravessa a rua, mas sua coordenação fica para trás

Quando sua confiança atravessa a rua, mas sua coordenação fica para trás

Existe um momento na vida de todo ser humano em que ele sente uma confiança completamente desproporcional à própria coordenação motora. É quando a pessoa atravessa a rua com a energia de protagonista de filme, mas com o equilíbrio de um carrinho de supermercado com roda quebrada. O universo adora esse tipo de ousadia, porque é a oportunidade perfeita de lembrar que a gravidade nunca perde uma chance de humilhar alguém em público. O corpo simplesmente decide esquecer como funciona, como se tivesse apertado o botão “bugar” sem aviso prévio.

O pior não é o tropeço, é o pós-tropeço. Existe uma dignidade que se perde ali e nunca mais é recuperada, uma mistura de vergonha, revolta e vontade de culpar o chão por existir. A mente tenta agir naturalmente, mas o cérebro sabe que acabou de protagonizar um evento que ficará arquivado na memória de um desconhecido para sempre. É a prova de que a autoconfiança é uma entidade traiçoeira, capaz de convencer qualquer pessoa de que é um atleta olímpico, quando na verdade é apenas um ser humano que pode ser derrotado por absolutamente nada.

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