
O romantismo brasileiro é uma coisa curiosa. Começa com “minha princesa” e termina com um plano estratégico de enriquecimento que claramente depende de ganhar no modo carreira do videogame. Prometer tirar alguém “dessa vida” enquanto a própria vida está estacionada no sofá é o tipo de ousadia que só a autoconfiança masculina proporciona. A ambição mora no discurso, mas o corpo segue firme no modo economia de energia.
O contraste é praticamente poético: uma pessoa produzindo, pagando boleto, enfrentando transporte público, e a outra arquitetando fortuna entre uma partida e outra. O melhor é a naturalidade com que o sonho bilionário convive com o “deitado jogando”. É o empreendedorismo imaginário, versão Wi-Fi. A meta é ficar rico, o método ainda está em fase beta. No fim, não é sobre trabalhar duro, é sobre acreditar tanto no próprio potencial que o descanso já faz parte do plano de negócios. Confiança é tudo, coerência é opcional.






