Quando o amor vira julgamento e você é réu sem direito a defesa

Quando o amor vira julgamento e você é réu sem direito a defesa

A maturidade num relacionamento tem prazo de validade, e geralmente dura até o momento em que alguém admite a culpa. Porque assumir erro é fácil… até o outro concordar. Aí já vira agressão gratuita. Você respira fundo, tenta ser a pessoa evoluída da relação, solta aquele discurso digno de coach emocional, todo trabalhado na inteligência emocional, e a recompensa vem na forma de um “é, realmente, você vacilou”. O famoso romantismo brasileiro: amor, carinho e a certeza de que sempre haverá alguém para te jogar debaixo do ônibus, mesmo quando você foi gentil o suficiente pra se deitar lá primeiro.

Relacionamento também é teste de paciência culinária. A embalagem com a receita é tipo aquele certificado de garantia do amor: se some, tudo vira caos. E quando você, com toda a boa vontade do mundo, decide amenizar a situação, a pessoa simplesmente concorda que a culpa foi sua. A audácia mora no mesmo CEP do romance. No fim, a gente fica só esperando o juiz bater o martelo: “relação culpada por danos emocionais leves”.

Macarena: a cura emocional que Freud esqueceu de estudar

Macarena: a cura emocional que Freud esqueceu de estudar

Tem gente que cura o coração partido com terapia, outros com vinho, e alguns com a força inexplicável da Macarena. É quase um exorcismo emocional: impossível continuar triste quando começa o “Dale a tu cuerpo alegría, Macarena”. A lágrima seca sozinha, o trauma vira coreografia e, de repente, a vida faz mais sentido que qualquer sessão de coach. O motorista do Uber, sem saber, inventou uma nova forma de primeiros socorros emocionais: música de casamento dos anos 90. Psicólogos que me perdoem, mas talvez o verdadeiro segredo da felicidade esteja entre o refrão e o passinho errado que todo mundo faz. No fundo, o ser humano é simples — só precisa de um motivo pra rir da própria desgraça e um hit latino pra lembrar que nem todo drama merece trilha sonora triste.

Quando o apagão vem no mesmo horário do apito inicial

Quando o apagão vem no mesmo horário do apito inicial

A vida tem um senso de humor que beira a maldade. Você passa o dia inteiro esperando aquele jogo, já prepara a pipoca, veste a camisa do time, mentaliza a vitória como se fosse promessa de final de ano. E no exato momento em que a bola rola… puff, a luz some. Não é na cidade inteira, não é no bairro, é só na sua rua. Parece até que a concessionária de energia tem um infiltrado no grupo de WhatsApp da torcida só pra saber qual é a hora perfeita de sabotar. O pior é ouvir os gritos da galera nas casas vizinhas, porque o gol acontece, mas você só acompanha pelo delay do desespero. Enquanto isso, o celular vira a salvação, mas a internet 4G resolve entrar em greve e cada frame do jogo demora uns cinco minutos pra carregar. No fim, você não assiste nada, mas aprende que torcer no Brasil é teste de paciência, não de coração.

Quando a calculadora resolve virar operadora

Quando a calculadora resolve virar operadora

Chega uma hora que o celular pede tanta permissão estranha que a gente começa a aceitar por esporte. A calculadora pedindo acesso a chamadas é quase um novo nível de relacionamento: além de fazer contas, agora ela quer cuidar da sua vida social. Imagine receber uma ligação e ser a calculadora que atende, perguntando se quer arredondar o papo pra cima ou pra baixo. A pessoa fala “te amo”, e ela responde “não bateu, deu erro de sintaxe”. O pior é que a gente deixa, porque brasileiro não resiste a uma opção suspeita com a palavra “Permitir”. Já deixamos lanterna acessar fotos, já autorizamos despertador a mexer nos contatos… então, por que não deixar a calculadora virar operadora também? Talvez seja até útil: cada ligação já viria com a porcentagem de arrependimento calculada.

No fundo, a tecnologia só reflete nossa confusão: não sabemos se queremos somar, dividir ou simplesmente colocar tudo em modo avião.

O grupo da faculdade que parece um encontro de gerações patrocinado pelo desespero

O grupo da faculdade que parece um encontro de gerações patrocinado pelo desespero

Nada une mais gerações do que um trabalho em grupo na faculdade. De um lado, o senhor de 50 anos que já trabalhou em três empresas, tem experiência de vida e acha que PowerPoint é tecnologia de ponta. Do outro, o adolescente de 17 que faz tudo pelo celular, usa gírias que parecem outra língua e acha que “deadline” é só uma sugestão. E no meio, o estudante padrão: com sono, com ansiedade e sem vontade de lidar com nenhum dos dois.

Esse tipo de grupo é praticamente um encontro intergeracional patrocinado pelo caos. Um tem sabedoria, outro tem energia, e o terceiro tem Google. No fim, o resultado é sempre o mesmo: o de 50 quer fazer reunião presencial, o de 17 some no Discord e o intermediário acaba fazendo tudo. É a evolução natural do trabalho em grupo — do “vamos dividir as tarefas” ao “eu mando o PDF pronto”.

Faculdade é sobre aprender, sim. Mas o maior aprendizado é: nunca subestime o poder do aluno que sabe mexer no Canva.

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