Quando o plano era derrotar o inimigo e o resultado foi derrotar a vizinhança inteira

Existe um talento raro no mundo: a capacidade de tomar uma decisão movida pela raiva e esquecer completamente que as consequências também possuem CPF, endereço e costumam chegar sem aviso prévio. A imagem resume perfeitamente aquela lógica revolucionária que aparece de tempos em tempos: “não importa se vai dar errado para mim, desde que atrapalhe alguém que eu não gosto”. É uma estratégia tão brilhante quanto serrar o próprio galho para derrubar o passarinho que está sentado na ponta. O problema é que a gravidade costuma ser democrática e não pergunta em quem você votou antes de entrar em ação.
O mais engraçado é que sempre existe o especialista em neutralidade absoluta. Aquele que acredita que ficar de braços cruzados o transforma automaticamente em espectador VIP da confusão. A vida adora mostrar que, quando o telhado desaba, ela não consulta a lista de presença. E também aparece o cidadão que escolhe uma opção claramente ruim acreditando que será o único imune aos efeitos colaterais. É o mesmo espírito de quem coloca fogo no sofá para acabar com um mosquito e depois descobre que a sala inteira participou do experimento.
No fim, algumas escolhas parecem ter sido planejadas por um comitê formado por teimosia, impulsividade e falta de cálculo básico. E a conta, como sempre, chega para todo mundo.





