A pessoa que se acha inteligente até alguém perguntar uma conta de matemática

A pessoa afirma que tem raciocínio rápido, mas o detalhe é que estava falando de inventar mentiras, não de resolver equações. É aquele talento brasileiro que não aparece no currículo, mas funciona perfeitamente em situações de emergência: justificar atraso, explicar compra desnecessária ou criar uma história tão elaborada que até o mentiroso precisa de um mapa mental para não se perder. O problema é que a matemática chega sem avisar e transforma o improviso em auditoria.
Mentir exige criatividade, mas matemática exige coerência. Você pode inventar que estava preso no trânsito, que o celular descarregou ou que o cachorro comeu o boleto. Agora, quando alguém pergunta quanto é 17 vezes 8, a conversa deixa de ser ficção e vira prova do Enem. O cérebro, que minutos antes estava produzindo uma novela mexicana, passa a carregar apenas a informação de que 2 + 2 provavelmente dá 5, dependendo da necessidade. No fim, fica a reflexão: talvez o raciocínio seja realmente rápido, só que especializado em fugir da verdade. E, convenhamos, nesse mercado competitivo de desculpas, até a calculadora pede demissão.





