A infância era tão criativa que até ventilador virava videogame

A infância era tão criativa que até ventilador virava videogame

A infância brasileira tinha uma tecnologia de ponta chamada gambiarra. Enquanto hoje a criançada escolhe entre gráficos em 4K, realidade virtual e jogos que ocupam mais espaço que a memória do celular, antigamente a diversão podia depender de um ventilador, um pouco de criatividade e uma coragem que claramente não passava pela aprovação do Inmetro. O objetivo era simples: transformar um eletrodoméstico em equipamento de efeitos sonoros. Porque brincar de robô era pouco; o importante era parecer uma máquina prestes a dominar o mundo, mesmo que o maior perigo fosse tomar bronca por mexer onde não devia.

O mais curioso é que essa geração cresceu ouvindo que videogame estragava a cabeça, mas ninguém parecia preocupado com a possibilidade de uma criança tentar negociar com as hélices de um ventilador. Era uma época em que a imaginação fazia hora extra e a segurança ficava no grupo de “depois a gente vê”. Hoje, explicar essas brincadeiras para os filhos deve ser uma mistura de nostalgia, vergonha e medo de receber uma pergunta sobre responsabilidade dos pais. No fim, a infância não precisava de internet rápida: precisava de criatividade, coragem e um ventilador que sobrevivesse à experiência.

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