A chuva brasileira tem um talento especial para escolher a pior hora

A chuva brasileira tem um talento especial para escolher a pior hora

Existe uma categoria de azar que parece ter sido desenvolvida exclusivamente para testar a paciência do brasileiro: a chuva que começa exatamente quando você precisa sair e termina exatamente quando você volta para pegar o guarda-chuva. Não é previsão do tempo, é perseguição pessoal com orçamento de produção. O céu parece funcionar no modo deboche, esperando a pessoa tomar uma decisão para imediatamente escolher a opção contrária.

O pior é que isso acontece com uma precisão impressionante. Se sair sem guarda-chuva, a nuvem prepara o dilúvio. Se levar o guarda-chuva, pode apostar que o sol aparece com vontade de fritar ovo no asfalto. E quando a pessoa finalmente acredita que entendeu o padrão, o clima muda novamente só para lembrar quem realmente manda nessa relação. Meteorologia, nesse caso, já virou questão de fé, porque consultar a previsão serve mais para criar expectativa do que para evitar perrengue. No Brasil, o guarda-chuva não é apenas um objeto contra a chuva: é praticamente um amuleto. O problema é que, aparentemente, até o amuleto tem sido vítima do famoso azar programado.

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