A escolha do nome do filho virou uma discussão que ninguém esperava

Existe uma diferença enorme entre escolher um nome diferente para o filho e transformar a certidão de nascimento em uma espécie de teste internacional de pronúncia. Tem gente que quer tanto colocar personalidade no nome da criança que parece estar batizando um personagem de série estrangeira. Aí o pequeno nasce, ganha um nome que ninguém sabe escrever, ninguém sabe pronunciar e que provavelmente vai precisar ser soletrado até o dia da aposentadoria. É criatividade? Talvez. É praticidade? Aí já estamos entrando em território desconhecido.
O mais engraçado é a indignação seletiva com nomes estrangeiros, como se o problema fosse exclusivamente o idioma. Afinal, se a criança tem um nome francês, aparentemente já existe uma reunião familiar marcada para discutir a falta de necessidade. Mas nomes indígenas e africanos ganham passe livre, porque aí existe história, cultura e significado. No fundo, a crítica não é exatamente sobre nomes difíceis; é sobre a quantidade de personalidade que os pais querem colocar em uma única certidão. O brasileiro consegue transformar até o nascimento de uma criança em debate sobre moda, identidade, tradição e, se deixar, até sobre futebol. No fim, o importante é o filho não precisar apresentar documento para provar que o próprio nome existe.





