
A internet criou uma nova espécie de ser humano: o perseverante digital profissional. A pessoa pode tomar vinte vácuos seguidos, ser ignorada com louvor olímpico, virar praticamente um fantasma emocional, e ainda assim continuar firme, confiante, otimista e com fé inabalável no próprio potencial de inconveniência. É quase um talento. Enquanto o resto do mundo entende o silêncio como recado, esse tipo de indivíduo interpreta como pausa estratégica do destino. O orgulho vai embora, a noção de limite também, mas a esperança permanece intacta, brilhando mais que filtro de foto de rede social. Se insistência pagasse conta, essa galera já estava milionária.
E o mais impressionante é a criatividade para justificar o constrangimento. Transformar rejeição em motivação bíblica é um nível de autoestima que deveria ser estudado pela NASA. Tem gente que não desiste nem quando o universo manda carta registrada avisando para parar. O sujeito vira quase um missionário do flerte, pregando a palavra da insistência onde claramente não foi convidado. No fundo, é bonito de ver essa coragem toda, mas também dá uma leve vergonha alheia com direito a trilha sonora triste. Porque persistência é virtude, mas bom senso também deveria entrar na mesma oração.






