
Ter um nome diferente é uma coisa. Ter um nome que parece senha de Wi-Fi de aeroporto internacional já é outro nível de exclusividade. Isso não é um nome, é um teste de captcha em forma humana. Quem vê pela primeira vez não tenta pronunciar, tenta atualizar o antivírus. É o único cidadão que, quando preenche formulário, o sistema pergunta se ele é um robô. E o mais impressionante é a coragem de carregar isso no RG, porque só explicar a grafia já deve consumir metade da vida útil.
O lado positivo é que nunca corre risco de ter o nome confundido. Não existe homônimo, não existe coincidência, não existe erro de identidade. O lado negativo é que nem o próprio nome cabe inteiro naquelas linhas minúsculas de cadastro. Esse tipo de nome não nasce, é gerado automaticamente. Enquanto tem gente com nome comum que parece nome de figurante, esse aí parece protagonista de filme futurista ou senha mestra que desbloqueia o governo inteiro. No fim, todo mundo percebe que reclamar de ter um nome simples é falta de perspectiva. Porque depois disso, qualquer “Carlos” vira privilégio premium.






