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O dia em que o marido descobriu que estava perdendo pro gato no próprio casamento

O dia em que o marido descobriu que estava perdendo pro gato no próprio casamento

Casamento é aquela fase da vida em que a pessoa aprende, de forma humilde, que não é mais o protagonista da própria história. O ego vai sendo educado aos poucos, até entender que existe uma hierarquia emocional muito bem definida dentro da casa, e ela não inclui você no topo. O gato virou CEO do carinho, diretor de atenção e acionista majoritário do afeto. Enquanto isso, o ser humano adulto, com boleto no nome e responsabilidade nas costas, disputa migalhas de validação com um animal que passa 70% do tempo dormindo e 30% ignorando todo mundo.

O mais impressionante é que o gato nem se esforça. Não paga uma conta, não contribui com o aluguel, não resolve um problema e ainda assim é tratado como uma obra de arte rara. O cara pode trabalhar, sofrer, enfrentar o trânsito e voltar exausto, mas basta o gato existir que ele já ganha o título de criatura mais perfeita do universo. A autoestima do homem casado aprende a sobreviver com o básico, igual plano pré-pago emocional. No fim, o verdadeiro relacionamento sólido é entre a esposa e o gato, enquanto o marido participa como figurante com acesso limitado ao afeto premium.

Quando o romance vira financiamento e o beijo exige entrada e parcelas

Quando o romance vira financiamento e o beijo exige entrada e parcelas

Existe um momento na vida de todo brasileiro em que ele descobre que o romantismo morreu e foi substituído pelo setor financeiro. O beijo deixou de ser uma demonstração de carinho e virou um investimento de risco com taxa administrativa e vencimento no fim do mês. A famosa coxinha, que antes era só um salgado humilde, agora se tornou o novo padrão mínimo de solvência emocional. Não é mais sobre sentimentos, é sobre liquidez. O coração pode até estar disponível, mas o extrato bancário precisa estar mais ainda.

O problema é que tem gente que entra no relacionamento achando que é cliente premium, quando na verdade ainda está no plano gratuito com anúncios e limitações. A coragem de prometer pagar qualquer coisa dura exatamente até surgir o primeiro boleto real. O brasileiro quer viver um romance, mas o orçamento permite no máximo um trailer. O amor é lindo, mas o aluguel vence todo mês, e ele não aceita pagamento em carinho, abraço ou boas intenções. No fim, o sentimento mais forte não é paixão nem saudade, é o susto quando o valor aparece.

CNH vencida e a crise de identidade mais burocrática do Brasil

CNH vencida e a crise de identidade mais burocrática do Brasil

Tem coisa que só a burocracia brasileira consegue explicar sem explicar nada. A CNH serve pra abrir conta, entrar em prédio, retirar encomenda, provar que você é você desde 1998… mas venceu a data e pronto: aparentemente sua identidade evapora junto com o prazo. A lógica é maravilhosa. Para dirigir, faz sentido renovar, afinal ninguém quer descobrir no trânsito que esqueceu como usa o freio. Agora, para provar quem você é, parece que a validade também apaga sua existência. Documento vencido vira quase um amuleto sem poderes.

É como se o sistema dissesse que, até ontem, você era oficialmente você mesmo. Hoje, infelizmente, talvez seja uma versão pirata. O CPF continua o mesmo, a foto continua a mesma, a cara de cansado continua a mesma, mas a data passou e pronto, crise de identidade instaurada. Dá a impressão de que, se demorar muito pra renovar, você corre o risco de virar um personagem desbloqueável da própria vida. No Brasil, não basta existir, tem que estar dentro do prazo.

A dívida que virou troco e deixou até a calculadora em choque

A dívida que virou troco e deixou até a calculadora em choque

Tem promoção que é tão absurda que a gente desconfia até da própria matemática. Uma dívida de quase cinquenta mil virar trocado de padaria é praticamente milagre financeiro reconhecido pelo Vaticano. Isso não é desconto, é anistia econômica com trilha sonora de final feliz. O banco olha praquele valor gigantesco e resolve aplicar um “black friday do arrependimento”. Noventa e nove por cento de desconto não é negociação, é plot twist de novela das nove.

E ainda existe a dúvida se vale a pena. Brasileiro é tão traumatizado que, mesmo diante de um milagre bancário, ainda pergunta se não tem pegadinha escondida em letras microscópicas tamanho formiga. A mente já começa a imaginar juros secretos, taxa de respiração, imposto sobre felicidade repentina. Mas a verdade é que sair de quase cinquenta mil pra cento e quarenta reais é o equivalente financeiro de ganhar na loteria sem precisar jogar. Se isso não vale a pena, então nada mais faz sentido nesse planeta. É o tipo de oferta que faz até calculadora chorar de emoção.

Tomei remédio pra dormir e sonhei que estava com insônia, o cérebro brasileiro não tem botão off

Tomei remédio pra dormir e sonhei que estava com insônia, o cérebro brasileiro não tem botão off

Tem coisa mais brasileira do que tomar remédio pra dormir e ainda arrumar tempo pra sofrer por não estar dormindo? A mente da pessoa vira uma reunião de condomínio às três da manhã. O zolpidem entra em campo, promete silêncio, luz apagada e trilha sonora de spa. A cabeça responde com um TED Talk interno sobre produtividade, decisões da vida e teorias que ninguém pediu. O melhor é o drama consciente: a própria pessoa preocupada com o perigo de não dormir, enquanto aparentemente está dormindo melhor que bebê depois do almoço. O cérebro simplesmente decidiu brincar de Inception versão boleto.

E o auge da ironia é descobrir que passou a madrugada inteira sonhando que estava acordada. Insônia em modo fake news. A mente criou um reality show chamado “Dormindo e reclamando ao mesmo tempo”. É o nível máximo de ansiedade gourmet: até o descanso vem com roteiro, plot twist e figurino de palhaço no final. No fundo, não é falta de sono, é excesso de imaginação com Wi-Fi liberado. O brasileiro não dorme, ele produz conteúdo mental premium até inconsciente. E ainda acorda cansado, porque até no sonho estava ocupado reclamando.

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