Ficante fixo, o CLT do sofrimento moderno

A definição moderna de relacionamento ganhou um novo departamento no RH da vida amorosa. A ideia de algo “fixo” soa estável, mas a letra miúda entrega tudo: compromisso emocional, disponibilidade constante e zero benefícios garantidos. É o famoso pacote completo de cobrança com contrato invisível, onde o coração trabalha em regime integral e o reconhecimento nunca cai na conta. O romantismo até tenta sobreviver, mas tropeça na burocracia sentimental que transforma afeto em prestação de serviço. O resultado é uma mistura curiosa de expectativa alta com direitos inexistentes, um verdadeiro estágio não remunerado do amor.
O mais bonito é como o deboche traduz uma realidade que muita gente finge não ver. Existe toda uma geração emocionalmente terceirizada, vivendo relações que exigem desempenho máximo com garantia mínima. O termo parece moderno, mas o sentimento é antigo: entrega total com recibo nenhum. No fundo, a piada funciona porque dói um pouquinho, daquele jeito que faz rir para não chorar. E assim o amor segue sendo comparado ao mercado de trabalho, provando que, no Brasil, até o coração entende de informalidade. Se relacionamento fosse carteira assinada, muita gente já estaria pedindo férias, décimo terceiro e adicional por insalubridade emocional.




