
Existe um tipo de carinho que não precisa de declaração, presente caro ou textão de aniversário. Às vezes, ele vem em forma de um copinho de feijão recém-temperado. É praticamente a versão brasileira de receber flores, só que com caldo, alho, cebola e a possibilidade real de sujar a camiseta. O mais bonito nessa história é perceber como certas memórias da infância conseguem atravessar décadas e reaparecer dentro de uma rotina completamente diferente. O feijão continua sendo feijão, mas agora existe um componente extra: afeto servido em recipiente pequeno.
E vamos combinar que provar o feijão antes do almoço é uma das maiores tradições não oficiais da culinária brasileira. É o famoso controle de qualidade que ninguém pediu, mas todo mundo respeita. Tem criança que cresce esperando esse momento e adulto que continua tratando um simples copinho de feijão como se tivesse recebido uma medalha. No fundo, talvez seja esse o verdadeiro segredo de um relacionamento duradouro: saber que determinadas coisas aparentemente pequenas carregam um significado enorme. Porque amor também pode ser isso: lembrar de um costume antigo, manter a tradição e ainda garantir que a pessoa tenha direito à primeira amostra do feijão. Prioridades corretíssimas.
Quase ninguém reagiu ainda... e você?



