Quando a régua da autoestima vira instrumento oficial de julgamento alheio

Brasileiro tem um talento curioso para medir caráter com régua de etiqueta de preço. Se a pessoa trabalha muito, é explorada. Se trabalha pouco, é preguiçosa. Se mora longe, é “sofredora”. Se mora perto, “teve ajuda”. Parece que existe um campeonato invisível onde o troféu é julgar a vida alheia com a maior criatividade possível. No fundo, tem gente que não quer melhorar de vida, quer melhorar o argumento para criticar a vida dos outros.
A verdade é que quem debocha do emprego, da roupa ou do CEP alheio normalmente está tentando esconder a própria insegurança parcelada em doze vezes sem juros. É mais fácil apontar o tênis do outro do que admitir que a própria autoestima está vencida. E ironicamente, a tal “pobreza mental” não depende de saldo bancário; ela aparece quando a pessoa acha que superioridade é estilo de vida. No fim das contas, cada um paga suas contas e vive sua realidade, mas sempre tem alguém disposto a comentar como se fosse auditor da felicidade. A internet virou vitrine, e muita gente virou fiscal de etiqueta social.




