
Existe um tipo de romance moderno que não se mede por flores ou declarações, mas por planilhas invisíveis que aparecem do nada depois de um encontro. É o amor no modo Excel, onde cada sorriso já vem com juros embutidos e cada colher de sorvete ganha um valor emocional e financeiro ao mesmo tempo. A pessoa sai achando que viveu um momento leve, descontraído, quase cinematográfico, mas descobre que, na verdade, participou de uma auditoria disfarçada de date.
O mais impressionante é a precisão científica do cálculo. Nada escapa. Nem o detalhe mais irrelevante consegue fugir da cobrança milimetricamente organizada. Existe uma confiança quase poética de que dividir tudo até a última moeda é sinal de justiça, quando na prática vira um mini imposto sobre ter saído de casa. E no fim, o verdadeiro plot twist não é o valor, mas a sensação de que o encontro virou um boleto com memória afetiva. Porque no Brasil, o romance pode até acabar, mas a conta… essa sempre chega completa.
Quase ninguém reagiu ainda... e você?



