O dia em que o Natal chegou sem data e com muita coragem

O dia em que o Natal chegou sem data e com muita coragem

Essa imagem é a prova viva de que o flerte brasileiro não falha, ele apenas se adapta às circunstâncias, mesmo quando elas são completamente inexistentes. O desejo de desejar alguém é tão forte que não precisa nem de data comemorativa, motivo plausível ou coerência temporal. O espírito natalino surge fora de época, de chinelo, sem peru e sem panetone, mas com muita vontade de puxar assunto. É o famoso improviso emocional, aquele em que a pessoa começa com um plano mais ou menos estruturado e termina inventando um conceito novo de mensagem: o parabéns sem motivo algum.

O mais bonito é a confiança com que a situação desanda. A tentativa de corrigir a gafe não melhora nada, só eleva o nível do constrangimento criativo. O flerte vira uma obra abstrata, aberta a interpretações, onde o importante não é o sentido, mas a coragem de continuar digitando. A imagem representa perfeitamente o brasileiro médio tentando ser simpático, errando o timing, errando o contexto e ainda assim seguindo firme, como se tudo estivesse dentro do roteiro. No fim, sobra aquele misto de vergonha alheia com admiração, porque poucas pessoas teriam a ousadia de transformar um erro simples em uma cantada conceitual. É a arte de não desistir, mesmo quando já deveria.

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