
Seis reais virou o novo divisor de caráter nacional. Antigamente amizade era medida em churrasco e carona, hoje é medida em transferência bancária de valor promocional. O Brasil chegou naquele ponto em que o cafezinho virou teste de confiança e a pessoa se sente julgada por cobrar o que é dela. Parece que pedir um pix de seis reais é praticamente uma humilhação pública, como se a cobrança viesse acompanhada de um boletim médico e uma foto da geladeira vazia. A lógica moderna é maravilhosa: quem deve se sente ofendido, quem cobra vira vilão internacional, e os seis reais ficam ali no limbo financeiro, esperando o milagre da dignidade alheia.
O mais engraçado é que a pessoa transforma a dívida numa questão filosófica. Não é mais sobre dinheiro, é sobre “necessidade”. Seis reais não é mais valor, é conceito. Se cobrar, é porque está falido; se não cobrar, é porque é trouxa. No fim das contas, o pix vira um evento emocional maior do que separação de casal. O Brasil conseguiu transformar troco de padaria em crise diplomática, e tudo isso por causa de uma nota que mal compra um salgado e um suco.






