O dia em que a saudade bateu forte… mas era da geladeira e do sofá

Tem gente que acredita em alma gêmea. Tem gente que acredita em destino. E tem gente que descobre que o verdadeiro vínculo emocional de um relacionamento eram os móveis parcelados em doze vezes sem juros. Afinal, amor pode até acabar, mas a prestação da sala planejada continua firme e forte, lembrando diariamente das decisões tomadas em momentos de excesso de confiança. O coração supera muita coisa. Já o carnê do sofá costuma ter uma memória excelente.
O mais engraçado é que existe uma diferença enorme entre saudade sentimental e saudade patrimonial. Uma faz a pessoa lembrar dos momentos felizes. A outra faz lembrar da geladeira, da televisão e daquele guarda-roupa que ocupava metade do quarto. Em muitos casos, a separação não esvazia apenas a casa, esvazia também a lista de eletrodomésticos. O brasileiro já aprendeu que o verdadeiro teste de um relacionamento não é viajar junto nem conhecer a família. É descobrir quem fica com a air fryer quando tudo termina.
No fundo, certas histórias provam que o amor é passageiro, mas os bens adquiridos durante a união geram discussões dignas de reunião de condomínio. Porque tem gente que perde o parceiro e sofre. E tem gente que perde o parceiro, o sofá, a mesa, a estante e ainda fica olhando para um cômodo que parece apartamento decorado antes da inauguração.





