O profissional tão dedicado que compareceu sozinho à reunião cancelada

Existe um tipo especial de azar corporativo que não vem acompanhado de prejuízo financeiro nem bronca do chefe. Ele vem acompanhado daquela sensação de ter sido derrotado pela tecnologia, pelo calendário e pela própria distração ao mesmo tempo. A pessoa se prepara para uma reunião importante, revisa tudo mentalmente, organiza os detalhes e chega com aquela confiança de quem finalmente está colocando a vida nos trilhos. Aí descobre que a única coisa presente no compromisso era ela mesma. O resto já tinha sido cancelado há tanto tempo que provavelmente os envolvidos já estavam pensando no próximo feriado.
O mais engraçado é que esse tipo de situação transforma qualquer profissional em personagem de comédia. O universo parece dizer: “Parabéns pelo empenho, mas ninguém pediu tudo isso”. E convenhamos, não existe sensação mais brasileira do que descobrir uma informação importante exatamente depois que ela deixou de ser útil. É primo do cidadão que responde “ok” num grupo dois dias depois da conversa acabar ou daquele que chega ao aniversário na data errada. A reunião cancelada é praticamente um teste de atenção disfarçado de compromisso profissional. No fim, sobra apenas a certeza de que o e-mail foi enviado, a notificação apareceu e, por algum motivo misterioso, o cérebro decidiu arquivar tudo na pasta “vejo depois”.





