O mistério do guarda-chuva que some mais rápido que a chuva

O mistério do guarda-chuva que some mais rápido que a chuva

Existe um objeto que passa a maior parte da vida desaparecido e só reaparece quando já não serve para mais nada: o guarda-chuva. Ele é vendido como um equipamento de proteção contra a chuva, mas na prática funciona mais como um teste de memória. A pessoa compra um modelo gigante, resistente ao vento, capaz de proteger uma família inteira, e mesmo assim consegue esquecê-lo na primeira oportunidade. Parece até que o guarda-chuva possui instinto migratório. Você leva ele para um lugar e ele decide começar uma nova vida por lá.

O mais engraçado é o otimismo envolvido na compra. A promessa é sempre a mesma: agora nunca mais vou me molhar. É praticamente uma declaração de guerra contra as nuvens. O universo escuta, anota e responde com uma pegadinha digna de programa de auditório. O guarda-chuva desaparece, a chuva retorna com força total e a pessoa vira atração turística ambulante para poças d’água. No fim, o problema nunca foi a falta de equipamento. O problema foi acreditar que um ser humano consegue manter posse de um guarda-chuva por mais de três dias consecutivos. Alguns perdem carteira, outros perdem chaves. Mas perder guarda-chuva parece ser um requisito obrigatório para receber o diploma da vida adulta.

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