A coragem de voltar depois da maior vergonha da semana

A coragem de voltar depois da maior vergonha da semana

Existe um tipo de vergonha que deveria valer como modalidade olímpica. Não é esquecer o nome de alguém, mandar mensagem para a pessoa errada ou tropeçar em público. É produzir um efeito sonoro completamente involuntário justamente em um ambiente onde o silêncio faz parte da decoração. O universo tem um senso de humor tão refinado que escolhe exatamente esses momentos para testar o emocional de qualquer cidadão.

O mais curioso é que a situação dura poucos segundos, mas a memória consegue transformá-la em um trauma de longa duração. O cérebro passa anos revisitando o episódio como se estivesse assistindo à final de um campeonato. E, para piorar, sempre aparece um amigo disposto a oferecer um conselho tão absurdo quanto inspirador. De repente, a dignidade deixa de depender do acontecimento e passa a depender da capacidade de voltar ao local como se absolutamente nada tivesse acontecido.

Talvez essa seja a verdadeira definição de coragem. Não é enfrentar monstros, escalar montanhas ou saltar de paraquedas. É olhar para uma situação extremamente constrangedora e decidir que ela não vai definir sua história. Porque todo mundo erra, todo mundo passa vergonha e todo mundo coleciona momentos que gostaria de apagar da memória. A diferença é que alguns transformam o constrangimento em lenda… e outros voltam no dia seguinte apenas para provar que um simples incidente não pode vencer uma boa dose de autoestima.

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