O novo requisito das entrevistas de emprego que ninguém colocou na vaga

A internet conseguiu transformar entrevista de emprego em campeonato de interpretação psicológica. Agora não basta ter currículo bom, experiência, cursos e vontade de trabalhar. Também é preciso controlar a distância da câmera, a inclinação da cabeça, a quantidade de piscadas por minuto e, aparentemente, até o nível de “desespero” que o Wi-Fi transmite. Daqui a pouco o candidato vai precisar contratar um diretor de cinema só para participar da chamada de vídeo. Se olhar demais para a câmera, está desesperado. Se olhar de menos, parece desinteressado. Se sorrir muito, é forçado. Se não sorrir, passa a imagem de vilão de novela. O verdadeiro teste deixou de ser técnico e virou uma prova de telepatia corporativa.
O mais curioso é que existe uma criatividade impressionante para inventar critérios que ninguém sabia que existiam. Parece que alguns recrutadores desenvolveram superpoderes dignos de filme de ficção científica. Conseguem detectar ansiedade pelo pixel da webcam, medir autoestima pelo enquadramento e descobrir a personalidade pela posição da cadeira. Enquanto isso, o candidato só está tentando impedir que o cachorro lata, a internet caia e o vizinho não resolva ligar a furadeira bem na hora da entrevista. No fim das contas, procurar emprego já parece um reality show em que qualquer detalhe vira motivo para eliminação. Se continuar nesse ritmo, em breve a vaga vai exigir experiência, cinco idiomas, Excel avançado e a capacidade sobrenatural de transmitir paz interior usando uma webcam de 2017.





