O currículo perfeito que nem o aplicativo conseguiu aproveitar

O currículo perfeito que nem o aplicativo conseguiu aproveitar

Aplicativo de namoro virou praticamente uma vaga de emprego. A pessoa monta currículo completo, informa altura, profissão, idiomas, hobbies, signo, tipo sanguíneo e, se bobear, até o histórico escolar. No fim, o resultado continua sendo o mesmo silêncio constrangedor. O desespero bate em um nível tão avançado que já tem gente fazendo análise técnica do algoritmo, culpando o GPS, a internet, a lua cheia e até a administração do aplicativo. O brasileiro não aceita perder nem no videogame, imagina admitir que o algoritmo simplesmente resolveu ignorar sua existência. A esperança é renovada a cada atualização de foto, cada descrição editada e cada “super like” enviado com a confiança de quem acredita que agora vai. Spoiler: normalmente não vai.

O mais engraçado é que, quando finalmente aparece uma notificação, o coração dispara mais rápido que promoção de supermercado. A expectativa vai às alturas e, na maioria das vezes, é apenas propaganda para assinar o plano premium ou um perfil claramente suspeito prometendo o amor da vida em cinco minutos. A tecnologia prometeu facilitar os relacionamentos, mas às vezes parece que ela só automatizou o famoso “visualizou e seguiu a vida”. No fim, muita gente acaba escrevendo uma resenha do aplicativo maior que uma redação do Enem, como se o suporte técnico pudesse fabricar química entre duas pessoas. Pelo menos sobra uma boa história para contar e algumas risadas. Afinal, se o romance não veio, o entretenimento gratuito já valeu parte do investimento emocional.

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