O flerte morreu no português, mas a confiança continuou viva

A confiança do brasileiro é uma entidade curiosa. Ela sobrevive a currículo sem experiência, receita de bolo feita no olho e até tentativa de flerte digitando como se o corretor automático tivesse pedido demissão. Tem gente que transforma uma simples pergunta em caça ao tesouro da língua portuguesa, inventando palavras que nem o dicionário mais otimista teria coragem de registrar. O mais engraçado é que o erro nunca vem sozinho: ele chega acompanhado de uma autoestima inabalável e de um elogio que tenta apagar o incêndio causado cinco segundos antes. É como derrubar um vaso na casa dos outros e oferecer um chiclete como pedido de desculpas.
O brasileiro não desiste nunca, principalmente quando o assunto é conquistar alguém. Se a gramática tropeça, a criatividade assume o volante e segue viagem sem olhar para o retrovisor. No fim, ninguém sabe se a conversa virou um romance, uma aula de português ou um pedido de socorro para a Academia Brasileira de Letras. O importante é que sempre existe alguém disposto a transformar um erro de digitação em uma filosofia de vida. Afinal, beleza pode até chamar atenção, mas escrever “sonteira” exige um nível de ousadia que poucos alcançam. É aquele tipo de mensagem que faz qualquer professor respirar fundo, qualquer corretor ortográfico entrar em crise existencial e qualquer grupo de amigos ganhar assunto para rir durante semanas.





