A lógica dos impostos que faz o brasileiro questionar até o próprio salário

A lógica dos impostos que faz o brasileiro questionar até o próprio salário

A lógica dos impostos brasileiros tem um talento especial para transformar qualquer conversa simples em uma crise existencial. Se determinados impostos existem para desestimular o consumo, até dá para entender a intenção: aumentar o preço de algo e esperar que a população pense duas vezes antes de comprar. O problema é quando essa mesma filosofia parece fazer uma visitinha ao salário, ao trabalho e a praticamente tudo que existe no caminho entre o cidadão e o dinheiro dele. Aí fica difícil saber se a ideia é desestimular o consumo ou simplesmente desestimular a existência.

O trabalhador brasileiro já participa de uma modalidade avançada de economia: ganha, paga imposto, compra, paga imposto de novo e depois descobre que até respirar perto de algum produto provavelmente tem uma taxa escondida. É quase um relacionamento sério com o governo, só que sem direito a terminar e com cobrança mensal. O mais curioso é que, quando o preço de alguma coisa aumenta, a recomendação costuma ser consumir menos. Quando o trabalhador reclama que sobra pouco dinheiro, a matemática também parece sugerir que ele deveria trabalhar mais. Ou seja, a solução oficial para falta de dinheiro é aparentemente produzir mais dinheiro para pagar mais coisas que ficaram mais caras. No fim, até a calculadora pede férias.

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