A pessoa experimentou açaí e descobriu que o problema era o próprio açaí

A pessoa experimentou açaí e descobriu que o problema era o próprio açaí

O ser humano é uma criatura curiosa: consegue sobreviver a segunda-feira, boleto vencido, reunião que poderia ser e-mail e até ao grupo da família discutindo política. Mas basta colocar açaí na frente que algumas pessoas descobrem limites que nem a ciência consegue explicar. A imagem representa perfeitamente aquele momento em que o paladar brasileiro entra em conflito com a própria existência. É como se a pessoa tivesse pedido uma experiência gastronômica e recebido uma crise de identidade em um copo.

O mais engraçado é a confiança de quem oferece açaí como se estivesse apresentando uma iguaria internacional, enquanto o outro encara aquilo como se fosse uma ameaça biológica. Tem gente que coloca leite em pó, leite condensado, paçoca, banana, granola e até mais açaí, transformando o copo numa obra de engenharia civil. Aí aparece alguém dizendo que tem gosto de açaí, como se isso fosse uma descoberta chocante. É o equivalente gastronômico de reclamar que o café tem gosto de café. No Brasil, até o desgosto precisa ser específico. E, sinceramente, se a pessoa não gostou, tudo bem. Só não pode mexer no pote de paçoca dos outros, porque aí já é declaração de guerra.

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