A lógica das redes sociais que ninguém consegue explicar

A lógica das redes sociais que ninguém consegue explicar

Existe uma modalidade de amizade moderna em que ninguém conhece ninguém, mas todo mundo acompanha todo mundo. É o famoso fenômeno das redes sociais: a pessoa pode não saber nem o nome completo de alguém, mas conhece o perfil, os stories, os cachorros, o café da manhã e até a frequência com que a criatura posta foto na academia. Aí surge a pergunta mais perigosa do universo digital: se você acompanha tanto, por que aparentemente não conhece? É aí que começa o campeonato brasileiro de contradições.

O melhor é a justificativa usada para tentar explicar o inexplicável. Seguir uma pessoa desconhecida virou quase uma atividade cultural, enquanto acompanhar uma celebridade internacional passou a ser apresentado como simples interesse esportivo. O cidadão pode saber o time, o jogador, o número da camisa, a marca da chuteira e até o restaurante favorito do atleta, mas uma pessoa que aparece frequentemente no feed? Essa aí é praticamente uma desconhecida. A lógica é tão brasileira que merecia virar matéria no Enem. No fim, redes sociais são assim: você pode seguir 2 mil pessoas, lembrar o nome de três e ainda ter certeza absoluta de que sua vida social está em dia. O algoritmo sabe mais sobre você do que seus próprios amigos.

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