A paulista que descobriu que no Rio até o celular precisa de seguro de vida

A paulista que descobriu que no Rio até o celular precisa de seguro de vida

O brasileiro tem um talento impressionante para transformar qualquer viagem em um curso intensivo de adaptação cultural. Basta sair de São Paulo que o celular deixa de ser um aparelho eletrônico e passa a ser patrimônio histórico, objeto de valor sentimental e possível motivo de preocupação familiar. A paranoia já vem instalada de fábrica, com direito a atualização automática sempre que o carro para no semáforo. É quase um mecanismo de defesa: o cérebro identifica o sinal vermelho e imediatamente abre o aplicativo “Onde está meu celular?”.

A graça está no contraste entre quem chega preparado para um cenário de filme de ação e quem conhece a cidade o suficiente para achar aquilo exagero. A pessoa não quer apenas proteger o telefone; quer garantir que ele continue existindo, com nota fiscal, capinha e todos os contatos. Enquanto isso, a lógica local parece ser a de que o problema não é o celular, mas a quantidade de coisas que alguém está disposto a carregar para dentro do carro. No fim, a mensagem é clara: em certas situações, o melhor investimento não é um celular novo, mas um carro que não pare. E, se parar, que seja só para o motorista conferir se o tanque ainda tem gasolina.

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