
Entrevista de emprego no Brasil nunca é só entrevista, é reality show corporativo com prova surpresa. Quando pedem para “vender o produto”, muita gente pensa em argumentação, benefícios, diferenciais técnicos. Mas sempre existe aquele candidato que entende a tarefa no modo raiz: criar escassez real, gerar urgência legítima e transformar necessidade em oportunidade. Isso não é ousadia, é método prático aplicado com coragem questionável.
O mais interessante é que o teste, que deveria avaliar criatividade, acaba revelando um talento inesperado para negociação direta. Nada de PowerPoint, nada de discurso ensaiado, apenas estratégia agressiva de mercado. Se o objetivo era provar capacidade de vendas, a demonstração foi quase pedagógica. Afinal, não existe argumento mais convincente do que transformar o próprio dono em cliente. A linha entre genialidade e demissão imediata é tênue, mas convenhamos: resultado é resultado. No fim, fica a dúvida se a vaga era para vendedor ou para consultor de riscos empresariais. Porque depois de uma dessas, a empresa certamente passou a rever o protocolo de testes.
Quase ninguém reagiu ainda... e você?



